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Sistema Ocepar dá início ao Programa Cooperativa sem Fronteiras

O Sistema Ocepar deu início, nesta terça-feira (18/08), à etapa prática do Programa Cooperativa sem Fronteiras, que visa à preparação de profissionais para o bom acolhimento de imigrantes. Na primeira reunião, cerca de 40 líderes tiveram acesso ao programa destinado tanto às lideranças quanto ao departamento de RH ou setores que tenham trabalho específico com migrantes nas cooperativas. As inscrições serão abertas esta semana. Também puderam assistir à palestra Migração, Trabalho e Realidade das Cooperativas, ministrada pelo economista e conferencista Marcelo Ribas Cañellas.

As aulas para os inscritos, que faz parte de parceria com a PUCPR, campus Toledo, terá início em 17 de setembro, inicialmente envolvendo quatro módulos. “É um trabalho piloto que estamos iniciando e construindo, após termos ouvido as cooperativas desde dezembro”, ponderou a coordenadora de Desenvolvimento Profissional do Sescoop/PR, Ketlyn Zipperer Mali. O objetivo é preparar as cooperativas para receberem imigrantes e migrantes, integrando-os às atividades.

Em sua palestra, Cañellas apontou que a mobilidade humana precisa ser bem gerida para reduzir vacância, ampliar as possibilidades e sustentar a expansão das instituições, além de fortalecer as comunidades. “A área de RH é estratégica, tem de fazer parte da governança, porque a competição é por talentos, competências e pessoas”, acentuou. “A imigração não é ‘estoque de mão de obra’, mas uma estratégia de desenvolvimento humano, uma força da economia”.

Segundo ele, a busca por competências está cada vez mais qualificada, tendo em vista que há cerca de 10 mil vagas abertas nas cooperativas paranaenses, e pessoas com mais preparo, visto que o setor possui 157 agroindústrias e pelo menos outras dez estão em construção.

Segundo dados do Observatório Regional de Governança Migratória (OrgMigra), em 2020 foram registradas 7.638 entradas de estrangeiros no Paraná, enquanto em 2025 esse número subiu para 37.399. “Não se trata apenas de passagem, mas destino de trabalho, moradia e reconstrução de vida”, salientou Cañellas.

Para ele, é importante a integração total dessas pessoas para a criação de um ecossistema em que o humano e o emocional estejam integrados à tecnologia. “Na nova economia, competir sozinho é lento, caro e arriscado. O futuro pertence a quem constrói ecossistemas”, afirmou. “A nova fronteira do cooperativismo é transformar mobilidade humana em capacidade coletiva”.

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