Pesquisa revela desafios e avanços da cultura cooperativista no Brasil
Como está a cultura cooperativista no Brasil hoje? Foi essa pergunta que a superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta, levou ao palco da Semana de Competitividade 2026, nesta quarta-feira (12/08). Pela primeira vez, o movimento conta com um diagnóstico nacional sobre a maturidade dessa cultura, construído a partir da percepção de cooperados, empregados, dirigentes e conselheiros.
A pesquisa ouviu 9.761 pessoas em todo o país. Na etapa qualitativa, foram realizadas 46 entrevistas em profundidade, em 37 cooperativas de 26 Unidades da Federação e do Distrito Federal, ampliando a compreensão sobre as percepções, experiências e desafios vividos no dia a dia do cooperativismo.
O estudo chega em um momento de forte crescimento da base. O cooperativismo passou de 15,5 milhões de cooperados em 2019 para 29 milhões em 2025, uma média de 6,1 mil novos cooperados por dia no período. Para Fabíola, o número também traz uma responsabilidade: garantir que quem chega conheça o modelo e saiba qual é seu papel. “Esses 6 mil novos cooperados todos os dias sabem que são cooperados? Eles sabem seus deveres, responsabilidades, direitos, o seu papel?”, questionou.
Quem conhece, cria vínculo
Um dos principais achados da pesquisa foi a força da relação entre cooperados e cooperativas. Entre os entrevistados, 93% afirmaram sentir o dever de honrar os compromissos assumidos com a cooperativa; 89% pretendem manter uma relação de longo prazo e o mesmo percentual recomendaria sua cooperativa a amigos ou familiares. Outros 87% mantêm a fidelidade mesmo em períodos de crise.
Por outro lado, a participação ainda é um ponto de atenção. Participar ativamente das assembleias foi o item com menor índice entre os cooperados. A falta de tempo apareceu como principal barreira, citada por 36%, seguida pela falta de informação sobre como participar, com 22%. No conjunto, três em cada dez cooperados citaram alguma barreira relacionada à informação ou ao conhecimento, índice que chega a 43% entre os cooperados do ramo Crédito.
“Quem conhece, gosta. A barreira é a comunicação e o caminho é a educação cooperativista”, resumiu Fabíola.
Educação e integração são prioridades
Os resultados também mostram que educação, formação e informação foi o princípio mais citado pelos participantes como prioridade. Entre os cooperados, 58% escolheram esse princípio como prioritário, percentual que sobe para 71% entre os empregados e chega a 57% entre os dirigentes. Entre os jovens de 18 a 34 anos, a prioridade foi apontada por 62%.
A chegada de novos integrantes foi apontada como um ponto de alerta. Na consulta realizada com os participantes durante a Semana de Competitividade, apenas 18% das cooperativas disseram ter um programa estruturado e contínuo de integração de novos cooperados. Além disso, 17% afirmaram utilizar história e memória para fortalecer a identidade cooperativa. Para Fabíola, os dados mostram que o desafio não é apenas crescer, mas fazer com que cada novo cooperado compreenda o movimento do qual passou a fazer parte.
A preocupação com a cultura cooperativista, no entanto, não é recente. Em 2023, dirigentes de todo o país responderam à Pesquisa Nacional do Cooperativismo e 65% elegeram o reforço da cultura cooperativista como uma prioridade para o futuro do movimento.
O diagnóstico apresentado agora amplia essa agenda e ajuda a indicar caminhos para transformar a prioridade em ações mais concretas de educação, comunicação, participação e preparação de novas lideranças. (Sistema OCB)