Cocari recebe Encontro Estadual de Lideranças Jovens e reforça compromisso com a sucessão no cooperativismo
A Cocari, de Mandaguari (PR), está sediando o Encontro Estadual das Lideranças Jovens – Cooperlíder Jovem, promovido pelo Sistema Ocepar. O evento foi aberto na tarde desta terça-feira (09/06) e termina nesta quarta-feira. A programação reúne aproximadamente 400 jovens lideranças cooperativistas de diversas regiões do Paraná.
A Cocari, de Mandaguari (PR), está sediando o Encontro Estadual das Lideranças Jovens – Cooperlíder Jovem, promovido pelo Sistema Ocepar. O evento foi aberto na tarde desta terça-feira (09/06) e termina nesta quarta-feira (10/06). A programação reúne aproximadamente 400 jovens lideranças cooperativistas de diversas regiões do Paraná, numa programação de aprendizado, integração, troca de experiências e reflexão sobre o futuro do cooperativismo.
Escolhida pelo Sistema Ocepar para receber o evento, a Cocari atua como cooperativa anfitriã da iniciativa, acolhendo participantes, dirigentes e representantes do movimento cooperativista paranaense na Associação Atlética Cocari, local que concentra as atividades da programação.
Com o tema “Cooperativismo: a bola da vez!”, o encontro busca fortalecer o protagonismo das novas gerações dentro das cooperativas, incentivando a formação de lideranças preparadas para contribuir com o desenvolvimento do setor e das comunidades onde estão inseridas.
A abertura oficial aconteceu na tarde desta terça-feira, com a presença de dirigentes cooperativistas, integrantes dos comitês jovens e representantes do Sistema Ocepar.
Futuro do cooperativismo e da sociedade
O presidente da Cocari, Marcos Trintinalha. fez o acolhimento dos jovens destacando a importância do protagonismo dos jovens para o futuro das cooperativas, do agronegócio e da própria sociedade, como um todo. “Quando éramos jovens tínhamos o sonho de transformar nosso país, nossa sociedade, de levar algo diferente para as pessoas. E ver vocês, aqui hoje, é motivo de muito orgulho, de muita alegria, porque sabemos que nosso sonho segue vivo e continuamos trabalhando por uma sociedade melhor”, disse.
Trintinalha fez questão de ressaltar que o trabalho de formação de jovens lideranças assegura o futuro do cooperativismo. “Nosso vice-presidente da Cocari, João Carlos Obici, é fruto desse movimento da juventude cooperativista, assim como outros conselheiros nossos e isso também ocorre em outras cooperativas do país”, afirmou.
O presidente da Cocari destacou ainda o momento atual: “Estamos vivendo um momento divisor de águas do nosso país e, por isso, precisamos fortalecer nossos conceitos, o cooperativismo, nossas instituições. Que todos possamos sair desses eventos mais fortes e com mais aprendizados”, disse.
O discurso de Trintinalha foi reforçado pela prefeita de Mandaguari, Ivoneia Furtado. Para ela, a continuidade desse modelo de sociedade e do fortalecimento das instituições dependem do protagonismo da juventude. “Nós estamos nas mãos de vocês”, disse ela, destacando a importância de trabalhos como os realizados pela Ocepar e pela Cocari. “Precisamos de líderes novos e capacitados. Nossa sociedade precisa e conta com vocês”, frisou a prefeita.
A valorização da juventude teve sequência na abertura do evento com o pronunciamento do presidente-executivo da Ocepar, José Roberto Ricken. “Se vocês não se derem bem, nós estamos perdidos”, assinalou, fazendo referência aos objetivos de vida da juventude cooperativista.
Ricken fez um breve relato de sua trajetória pessoal e profissional, intimamente ligada ao cooperativismo, até chegar à presidência da Ocepar, há 10 anos. Ele destacou que o cooperativismo é realidade no Paraná. “A maior empresa do Paraná é uma cooperativa. Temos mais de 4,5 milhões de cooperados no estado. Se não fosse o cooperativismo, não sei o que seria de nossa sociedade”.
Para o presidente-executivo da Ocepar, o futuro depende de cooperativas ainda mais fortes, ainda melhor organizadas e com uma relação ainda mais estreita com os cooperados. Ele lembrou que, ao fechar 2025, a Ocepar contabilizava no estado 255 cooperativas, dos sete ramos de atividade, com faturamento total de R$ 233 bilhões, responsáveis por 159 agroindústrias instaladas, além de outras oito em construção e mais 12 em fase de planejamento. “Essas cooperativas são responsáveis por 65% do que se produz no Paraná. Nossos produtos estão hoje presentes em 150 países e, desde 2014, as cooperativas paranaenses saltaram de um faturamento da ordem de R$ 50 bilhões para os R$ 233 bilhões em 2025 e vamos chegar a R$ 500 bilhões até 2030. Por isso precisamos nos organizar ainda mais e isso significa investir ainda mais em nossas bases, com a família cooperativista, com nossos jovens, com nossas lideranças femininas. Por isso provoco vocês todos: sejam protagonistas! E eu os convido para serem cooperados. Sejam protagonistas para o cooperativismo autêntico e com futuro. Vocês é que vão presidir nossas cooperativas e dirigir nosso futuro”, afirmou.
Formação cidadã e política e o jogo da vida
Após a cerimônia de abertura, os participantes acompanharam a palestra “O Jogo da Vida”, ministrada por Neto, sobrevivente do acidente aéreo envolvendo a delegação da Chapecoense, além de atividades de integração, apresentação do Comitê Jovem da Cocari e momentos de convivência entre os participantes.
A programação prossegue nesta terça-feira (10), com apresentações do Comitê Estadual de Jovens, atividades voltadas à formação cidadã e política, dinâmicas de grupo e a palestra “O Futuro é Verbo: Sua Ação Molda o Amanhã”, conduzida por Betto Alves. O encerramento está previsto para o horário de almoço.
Para a Cocari, sediar um evento estadual dessa dimensão representa uma oportunidade de contribuir para o fortalecimento do cooperativismo e valorizar o papel estratégico da juventude na construção do futuro das cooperativas.
O Cooperlíder Jovem integra as ações desenvolvidas pelo Sistema Ocepar para estimular a participação dos jovens no ambiente cooperativista, promovendo formação, networking e o desenvolvimento de competências alinhadas aos desafios e oportunidades do setor.
Juventude preparada para os desafios do amanhã
O encontro reforça a importância da sucessão e da renovação das lideranças no cooperativismo. Ao reunir jovens de diferentes cooperativas do Paraná, o Cooperlíder Jovem cria um ambiente propício para a troca de experiências, o compartilhamento de boas práticas e a construção de conexões que fortalecem o movimento cooperativista em todo o estado.
Thaynara Dobuchak, de Prudentópolis no Paraná, por exemplo, conta que muita gente jovem já deixou o campo imaginando que o campo não tinha futuro. Ela mesma também pensava assim até fazer o curso de formação de jovens líderes da Cocari. “No curso aprendi sobre gestão, tecnologias, inovação. Você pode usar tudo isso no campo, você pode expandir”, diz, para concluir que sim, o campo tem futuro e o futuro dela própria e assumir os negócios da família com a produção rural.
Outra cooperada da Cocari que fala da importância da formação cooperativista é Desiree Biazão, de Cambira. Ela conta que antes do curso via a roça apenas como trabalho, o plantar e o colher. “Eu via como um peso”, explica. Depois do curso, passou a entender o negócio, como um todo. Para ser sincera, antes eu nem sabia o que era cooperativismo. Eu sabia da cooperativa, onde a gente entregava a produção e comprava insumos. Mas com o curso compreendi que cooperativismo é uma rede onde ajudamos uns aos outros e nos tornamos, todos, mais fortes”. Depois do curso, conclui Desiree, ela parou de ver a propriedade da família como apenas um trabalho e passou a ver como uma empresa. E isso transformou seu sonho de futuro. É o que ela passou a sonhar para si mesma, seguir com os negócios da família, sucedendo os pais. “Hoje, meu plano de aposentadoria é o sítio. Me vejo tocando isso aqui”.
Vinicius Salvalaggio, cooperado da Cocari em Campo Alegre (GO), também afirma que antes do curso ele se via apenas “ajudando” a família em alguma coisa no dia a dia da propriedade. E ele também passou a entender, durante o curso, que a fazenda da família não era apenas um trabalho, mas sim uma empresa. “Antes, só queria saber de trabalhar, subir numa máquina. Mas aí descobri o negócio por traz daquele trabalho e isso me motivou a estar mais bem preparado para assumir os negócios”, declarou. (Redação Cocari).