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title: OPINIÃO: Triângulo amarelo pode confundir o consumidor | Paraná Cooperativo
description: O Sistema OCEPAR reúne e representa as cooperativas do Paraná, promovendo desenvolvimento, capacitação e fortalecimento do cooperativismo paranaense.
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date: 2012-05-09T15:56:42Z
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> *Edmundo Klotz (\*)*
> 
> Muito se discute acerca das normas de rotulagem de alimentos transgênicos no Brasil. Sem precedentes em nenhum lugar do mundo, o País é o único no qual a indústria alimentícia deve estampar um triângulo amarelo, com a letra "T" ao centro, na embalagem de alimentos que contenham mais de 1% de ingredientes geneticamente modificados (GM) - conforme o Decreto nº 4.680/03.
> 
> Utilizado em placas de advertência, atenção e existência de risco, afixadas em locais de perigo - conforme a norma ISO nº 3.864/02 - o triângulo amarelo do decreto definitivamente não cumpre o papel de informar de maneira isenta o consumidor e de popularizar o debate sobre um tema de interesse social. Pelo contrário, age como recomendação de não-consumo, algo como "afaste-se" ou "cuidado".
> 
> Além disso, a regra de rotulagem vigente no País acaba por negar ao consumidor outro fator importante: o direito à escolha. O símbolo afasta o cidadão de uma avaliação independente, além de inibir qualquer fabricante a utilizar insumos transgênicos comprovadamente seguros - atestados por órgãos técnicos, especialmente a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
> 
> Essa contradição, aparentemente inexplicável, tornar-se-ia um pouco mais clara se considerássemos que o referido decreto pode ter sido confeccionado não para informar, mas para desestimular o consumo de transgênicos. Vale reforçar que a exigência do uso do triângulo amarelo não se baseia em nenhum precedente internacional.
> 
> As regras de rotulagem estabelecidas no Mercosul e no Codex Alimentarius da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO/ONU), por exemplo, sequer apresentam dispositivos específicos para produtos feitos a partir de organismos geneticamente modificados (OGMs). O fato de o Brasil ser o único país do mundo a adotar o símbolo de alerta também pode ocasionar sérios problemas nas relações comerciais internacionais. Desde a chegada dos transgênicos no País, a indústria da alimentação vem demonstrando ser totalmente favorável a informar seus consumidores sobre a eventual presença de insumos GM na lista de ingredientes de seus produtos, tão logo eles sejam adotados. Contudo, como o setor respeita a legislação vigente e não deseja estampar em seus produtos um símbolo que erroneamente remete a "perigo", dificilmente os transgênicos serão utilizados em grandes quantidades pelas empresas.
> 
> Nesse cenário, em que uma legislação imprópria leva a indústria a evitar o uso de matéria-prima transgênica - mesmo confiando em sua segurança - e conduz o consumidor a recear irracionalmente o consumo desses produtos, infelizmente não há democracia, popularização ou participação social. Há atraso e falta de interesse em garantir a plena informação ao cidadão.
> 
> Está mais do que na hora de dar à sociedade o direito de avaliar, sem medo e com razão, se os alimentos GMs são apropriados ou não para seu consumo diário. E para proporcionar isso, neste momento, basta que se adote uma única e simples medida: alterar o Decreto nº 4.680/03, substituindo a exigência de uso do triângulo amarelo pelos termos "transgênicos" ou "contém transgênicos", dependendo do caso.
> 
> Para democratizar e popularizar um debate de interesse social, por mais complexo que seja, exige-se transparência e isenção nas informações fornecidas à sociedade - elementos que as atuais normas de rotulagem de OGMs definitivamente não oferecem. A discussão sobre os transgênicos é saudável e necessária, mas o cidadão não pode ter sua opinião influenciada, muito menos por uma lei. Quanto à indústria da alimentação, cabe somente observar, pois quem vai decidir, em última instância, se deve ou não adotar em sua alimentação ingredientes GM, é o consumidor.
> 
> (\*) *Edmundo Klotz - Presidente da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), artigo publicado no jornal Gazeta Mercantil, edição desta terça-feira (14/04).*

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