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title: OPINIÃO: O mercado do milho no Brasil | Paraná Cooperativo
description: O Sistema OCEPAR reúne e representa as cooperativas do Paraná, promovendo desenvolvimento, capacitação e fortalecimento do cooperativismo paranaense.
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date: 2012-05-10T10:55:41Z
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> O milho é o principal insumo dos complexos agroindustriais do frango, do suíno e da pecuária bovina de leite. Compõe o custo de produção dos produtos de origem animal e, consequentemente, impacta o custo da alimentação humana e os índices de inflação.
> 
> Os altos preços de mercado do grão, neste final de ano, estão gerando atritos entre os diferentes elos das cadeias de produção. Alguns opinam sobre a qualidade das informações disponíveis e outros pleiteiam ações do governo sobre a venda dos estoques públicos, proibição ou não da exportação e permissão ou não de importação do produto transgênico.
> 
> Este artigo tem como objetivo analisar as informações disponíveis sobre o mercado brasileiro do grão neste final de 2007 e em 2008, contribuindo para a redução dos custos de transação entre os elos das cadeias de valor.
> 
> **OFERTA E DEMANDA 2006/07**
> 
> As ótimas condições de clima afetaram favoravelmente a primeira e a segunda safras 2006/07, resultando numa produção total de 51,370 milhões de toneladas. Esta, somada ao estoque inicial de 5,262 milhões e a importação de 1,0 milhão de toneladas, gera uma oferta total de 57,632 milhões de toneladas em 2007.
> 
> No ano civil de 2007 as estimativas de consumo interno e exportação alcançam 40,5 e 10,8 milhões de toneladas, registrando aumentos de 9,5% e 274,3% sobre o ano anterior. Tais desempenhos se explicam pela recuperação da suinocultura e da bovinocultura de corte, pelo crescimento da avicultura e da produção de leite e pelas importações adicionais da Europa e do Irã.
> 
> O estoque de passagem de 2007 para 2008 será de 6,332 milhões de toneladas ou 15,6% do consumo interno.
> 
> **OFERTA E DEMANDA 2007/08**
> 
> A falta de chuva, durante a segunda quinzena de setembro até o final do primeiro decêndio de outubro, retardou o início do plantio da safra 2007/08 entre 30 a 45 dias, dependendo da região do país. Provocou também desuniformidade no stand de plantas dos primeiros plantios, intenso ataque de lagarta do cartucho e baixa eficiência em seu combate em várias regiões.
> 
> Com a regularização das precipitações após 15 de outubro o plantio foi recuperado e ocorreu em mais de 90% da área, estimada em 9,756 milhões de hectares, que, em condições normais de clima produzirão 37,080 milhões de toneladas.
> 
> O atraso na colheita deverá atrasar também o plantio da segunda safra, prevista inicialmente em 14,187 milhões de toneladas, também em condições normais de clima.
> 
> O mercado interno está antecipando a pouca disponibilidade do produto no início do próximo ano, provocado pelo alto volume de exportação em 2007 (10,8 milhões de t), embarques que continuarão a ocorrer em 2008, aumento do consumo interno, baixo estoque do governo (atual de 1,0 milhão de t e zero em 2008), pelo atraso no início da colheita da safra e pelo provável impacto negativo do fenômeno climático la nina sobre a produção.
> 
> Em janeiro e fevereiro de 2008 a disponibilidade de milho será o estoque de passagem (6,332 milhões t) mais em torno de 4,0 milhões de toneladas a serem colhidas na segunda quinzena de fevereiro, basicamente na região sul, contra uma média de 10 a 12 milhões de toneladas em anos de plantio sem atraso. O consumo interno e a exportação deverão absorver nestes dois meses entre 6,5 a 7,5 milhões de toneladas, evidenciando a situação justa entre a oferta e a demanda. Tal situação implica em falta de milho em algumas regiões e sobra em outras, porque a produção e o consumo não estão perfeitamente distribuídos e superpostos no espaço territorial. Deverá faltar produto em São Paulo, Minas Gerais e na Região Nordeste e sobrar um pouco no Paraná e no Rio Grande do Sul.
> 
> O balanço de oferta e demanda para o ano civil de 2008 também mostra uma situação justa: oferta total de 58,399 milhões de toneladas (estoque inicial + produção + importação de 800 mil t), demanda total de 52,5 milhões de toneladas (consumo interno de 44 mais exportação de 8,5) e estoque de passagem de 5,899 milhões de toneladas.
> 
> A estimativa do consumo interno aumentará 8,6% em relação a 2007 e a exportação deverá diminuir, devido a menor importação pela Europa e Irã.
> 
> Se o clima provocar uma frustração da produção deverá ocorrer uma redução do volume exportado, um aumento na previsão de importação, basicamente da Argentina e do Paraguai, e preços recebidos pelos produtores significativamente superiores as médias históricas e aos custos de produção. Se a produção for a estimada, os preços de mercado seguirão a sazonalidade: diminuirão a partir de março, com a maior disponibilidade do produto, e aumentarão gradativamente no segundo semestre, mas permanecendo acima das médias históricas.
> 
> **AS CADEIAS PRODUTIVAS**
> 
> As cadeias produtivas dos produtos finais que demandam milho como insumo não apresentam organização baseada em contratos entre os produtores de milho e os produtores de ração ou de suínos e aves, exceto nas integrações verticais onde são adotados entre abatedouros e produtores de aves ou de suínos.
> 
> A organização de livre mercado tem sua eficiência e custos de transação fundamentados em atitudes oportunistas. Quando a oferta supera a demanda, os produtores de milho recebem preços abaixo do custo e reagem produzindo menos no período seguinte. A menor oferta resulta em altos preços recebidos pelos produtores de milho, que aumenta os custos dos alimentos de origem animal e também a produção de milho no período subseqüente. O último período de baixos preços se verificou até abril de 2006 e de alta após.
> 
> **O MERCADO**
> 
> A reação a atitude oportunista de preços de mercado inferiores ao preço mínimo em 2001 levou as cooperativas paranaenses a exportarem o cereal, pela primeira vez desde os anos 80. Este fato e o uso na produção do etanol nos EUA a partir de 2005 mudaram o mercado do grão. Os preços recebidos pelos produtores tendem para a paridade da exportação, em situação de normalidade do abastecimento, e para a paridade da importação, quando ocorrer escassez interna.
> 
> Os preços médios recebidos pelos produtores paranaenses aumentaram de R$ 19,58 em setembro e R$ 19,39 em outubro para R$ 22,82 a saca em novembro. No atacado variam entre R$ 28 a 32,5 a saca, acima da paridade da exportação, o que está provocando operações de recompra de posições de produto exportado (em torno de 250.000 t).
> 
> As exportações por Paranaguá neste ano somam 4.614,65 mil toneladas e existem mais três navios nomeados para dezembro, com previsão de embarque de mais 165 mil toneladas.
> 
> O preço CIF em Paranaguá aumentou 21% em reais em 30 dias, variando entre R$30,5 a R$33,5 a R$ 33,5 a saca ou U$ 17 a U$17,9.
> 
> Eugenio Stefanelo. Professor da UFPR e da UNIFAE e técnico da CONAB.

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