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title: COMÉRCIO BILATERAL: Brasil promete deixar de importar da Argentina | Paraná Cooperativo
description: O Sistema OCEPAR reúne e representa as cooperativas do Paraná, promovendo desenvolvimento, capacitação e fortalecimento do cooperativismo paranaense.
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date: 2012-05-09T16:01:59Z
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     #  COMÉRCIO BILATERAL: Brasil promete deixar de importar da Argentina 

> Depois dos resultados da reunião entre empresários brasileiros e argentinos, no final da semana passada, em Buenos Aires, o governo brasileiro pretende ter uma postura mais dura para com o país vizinho, deixando de importar da Argentina produtos como trigo e leite em pó. Esta decisão mostra que o governo não pretende mais abrir concessões comerciais aos argentinos, consideradas antes uma saída para melhorar a corrente comercial com aquele país.
> 
> **Imposições** - Segundo Roberto Segatto, presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (Abracex), "o Ivan Ramalho \[secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior -Mdic\] está tomando nota das dificuldades enfrentadas pelos empresários brasileiros e há a tendência de se posicionar fortemente contra as medidas impostas pela Argentina. Ele deve confrontar as imposições com outras imposições, do mesmo nível, como fez com o leite em pó". Segatto disse ainda que o governo sabe que a Argentina está colocando diversas dificuldades para que seus empresários não comprem produtos do Brasil.
> 
> **Interesse** - Durante o encontro, alguns empresários argentinos disseram que estão interessados em comprar eletrodomésticos de linha branca, além de vestuário e calçados brasileiros, mas que as tarifas brasileiras e as barreiras argentinas não facilitam o comércio entre os dois países que fazem parte do Mercosul.   
> "O Brasil perdeu mais de 20% do comércio com a Argentina para os chineses, e, além da desvalorização do dólar frente ao real que dificulta as exportações, existem algumas travas impostas pelos argentinos. Contudo, os brasileiros negociam preços e condições de pagamento, o que favorece o comércio", disse Segatto.
> 
> **Mais barato** - "Não gostamos de comprar da China, mas os preços deles \[chineses\] ficam mais barato do que os dos brasileiros. Prefiro a troca de exportações: temos mercadorias, como azeite, anchovas e presunto, que perderam mercado no Brasil em razão desses conflitos comerciais", informou um empresário argentino.
> 
> **Balança comercial** - A balança comercial entre os países apresentou no primeiro quadrimestre deste ano uma queda de 98, 32% no saldo, no entanto, ele permanece positivo em US$ 18,5 milhões para o Brasil, mesmo com o resultado de abril negativo em US$ 28 milhões.
> 
> **Móveis** - Durante a rodada de negócios, os fabricantes brasileiros de móveis se comprometeram com a redução em 35% de suas exportações ao mercado argentino este ano: se utilizarmos o valor obtido nas vendas do ano passado que foram de US$ 41 milhões, haveria uma queda de US$ 14, 35 milhões. A porcentagem foi definida depois de dez horas de discussões, durante as quais os empresários moveleiros argentinos tentaram levar a restrição aos móveis brasileiros a mais de 40% do total do ano passado, entre outras exigências que indignaram os produtores brasileiros.
> 
> **Queda** - "Dos males, o menor", opinou o presidente da Associação Brasileira de Indústrias de Mobiliário (Abimóveis), José Luiz Diaz Fernandez, depois de um dia inteiro de discussões com empresários argentinos. Segundo ele, no primeiro semestre deste ano, a participação do Brasil no mercado argentino de móveis caiu de 57% para apenas 28%. No mesmo período, a participação das importações chinesas aumentou de 12,5% para 24%. "Nossas importações estão zeradas desde março, totalmente paralisadas pelas medidas adotadas pela Argentina", lamentou.
> 
> **Prejuízo** - Ivan Ramalho admitiu que as medidas protecionistas aplicadas pela Argentina estão prejudicando 14% das exportações brasileiras. O secretário mostrou-se preocupado, também, pelos escassos acordos alcançados desde que foram iniciadas as negociações entre privados. "Ainda é baixo o resultado alcançado", disse Ramalho. "Não sabemos qual outra troca ele \[Ramalho\] fez, mas para o setor mobiliário essa redução é muito ruim. Poucos países podem concorrer com os móveis brasileiros. Nosso produto tem qualidade, quantidade e diversidade", afirmou Segatto, enquanto acrescentava que a decisão irá "acarretar para a indústria de móveis uma diminuição de produção, que remete à demissão de funcionários e a menor recolhimento de impostos e tributos".
> 
> **Mecanismo** - Este mecanismo foi adotado pelos governos desde a onda de disputas no comércio bilateral originada em 2005, quando a Argentina adotou restrições à entrada de eletrodomésticos brasileiros. "Estamos negociando um acordo de comércio", explicou Mariano da Vega, assessor da câmara argentina de fabricantes de embreagens e freios para automóveis, que considerou inconveniente a aplicação de salvaguardas à importação dos produtos a partir do Brasil.
> 
> **Freios -** O Sindicato Nacional de Componentes para a Indústria de Veículos Automotores (Sindipeças), que representa os fabricantes brasileiros de autopeças, aceitou reduzir em 30% as exportações brasileiras de freios à Argentina, no segundo semestre deste ano, em comparação aos primeiros seis meses de 2009. "Ainda não temos o número exato do que representa esse percentual, mas fazer o acordo é melhor do que enfrentar uma dificuldade maior", disse o presidente do Sindipeças, Paulo Butori. Entre as dificuldades, ele citou as mercadorias barradas na alfândega por medidas como as licenças não-automáticas ou os valores de referência. Butori detalhou que, em 2008, o setor exportou à Argentina US$ 15 milhões em freios, mas este volume, nos primeiros cinco meses de 2009, já sofreu uma queda de 37%. Mesmo assim, o empresário se resigna: "É o acordo possível neste momento".
> 
> **Embreagens** - No que diz respeito às exportações das embreagens, os empresários decidiram aceitar uma redução de 40% de seu envio, em comparação ao vendido em 2008. "Essa redução será feita somente nos modelos de fabricação comum", esclareceu o presidente do Conselho Administrativo do Sindipeças, Antônio Carlos Meduna. Os brasileiros se comprometeram a reduzir os cerca de 500 tipos de embreagens vendidos à Argentina a apenas 75 modelos para não competirem com os argentinos. Este é o terceiro acordo que o Sindipeças fecha com a Argentina para restringir as vendas ao mercado do país vizinho.
> 
> **Trigo -** O governo da Argentina comunicou o Brasil de que não tem mais trigo para exportar. "Eles nos comunicaram de que não vão ter trigo", disse o secretário de Comércio Exterior do Mdic, Welber Barral, depois de reunião de negócios em Buenos Aires. As autoridades brasileiras já esperavam a notícia, mas faltava uma comunicação oficial. Com os impostos que o governo de Cristina Kirchner cobra pelas exportações agropecuárias, o clima de confronto que mantém com os produtores rurais há mais de um ano e a pior seca da história do país, a produção de trigo despencou. No caso da safra 2008/2009, a produção de trigo caiu de 12 milhões para 8,5 milhões de toneladas. A Argentina consome 6 milhões de toneladas e o restante é usado para manter uma reserva estratégica do alimento.
> 
> **Estratégia** - Além disso, o governo argentino tem a estratégia de desenvolver suas exportações de produtos industrializados para agregar valor. Por isso, Cristina estimula a exportação de farinha de trigo, que paga um imposto de 18%, em lugar do trigo em grão, taxado em 28%. Com a menor produção de trigo da Argentina, o Brasil vai ter de comprar trigo de países como Canadá e Estados Unidos. (***DCI - Diário do Comércio &amp; Indústria**)***

 

   

 





 

 

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