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title: AGRONEGÓCIO: A principal porta de entrada para a crise | Paraná Cooperativo
description: O Sistema OCEPAR reúne e representa as cooperativas do Paraná, promovendo desenvolvimento, capacitação e fortalecimento do cooperativismo paranaense.
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date: 2012-05-10T11:31:32Z
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     #  AGRONEGÓCIO: A principal porta de entrada para a crise 

> A crise financeira começa a chegar ao agronegócio através das barreiras ao crédito e da queda dos preços das commodities. O cenário mobiliza os representantes de produtores e da agroindústria e muda as previsões de produção do ciclo 2008/09. Eles cobram avaliações mais realistas do governo federal argumentando que o setor é o principal canal de interferência externa na economia brasileira, por ser responsável pelo saldo positivo da Balança Comercial. O agronegócio responde por um terço das exportações do país.
> 
> **Financiamento** - Os produtores enfrentam dificuldade para financiar parte da safra 2008/09. "Os recursos que viriam das tradings, um terço de todos os financiamentos, estão chegando com restrições. O produtor está ficando sem dinheiro para avançar no plantio", afirma o porta-voz da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Carlos Augusto Albuquerque. Os próprios R$ 78 bilhões previstos para o sistema de crédito rural, que também representam cerca de um terço dos recursos para a safra, podem não chegar totalmente ao setor pela retração dos bancos, afirma. Ele avalia que o produtor tem que investir o que lucrou nas duas últimas safras e vai usar tecnologia mais barata que a do ciclo 2007/08. "Os custos de produção aumentaram 30% e o crédito oficial cresceu cerca de 10%. A diferença seria financiada pelas tradings, que estão retraídas." A estimativa é que 20% dos financiamentos necessários à safra 2008/09 ainda não tenham sido tomados.
> 
> **Renovação** - "As restrições de crédito estão aparecendo claramente desde o início de outubro. O produtor terá menos dinheiro. Além disso, nenhuma operação está sendo renovada com o custo original", afirma o presidente do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski. As cooperativas representam mais da metade do agronegócio no estado. A Ocepar recorre ao governo federal para salvar a renda de 2008, adiando os efeitos da crise para o ano que vem. A entidade quer garantia de que os contratos para investimento, de R$ 1,27 bilhão neste ciclo, serão mantidos. Dois terços desses recursos devem vir do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
> 
> **Crise está sendo subestimada** - 2009 Segundo Koslovski, ainda existem condições para as cooperativas do estado alcançarem os R$ 20 bilhões de arrecadação previstos para 2008, contando com R$ 2,6 bilhões das exportações. O valor é R$ 1,5 bilhão maior que a renda bruta do ano passado. Já em relação a 2009, não há segurança, declara. "A crise global está sendo subestimada", afirma o doutor em Economia Agrícola Eugênio Stefanelo, técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Com as dificuldades no crédito, diz ele, "a área cultivada pode não se expandir como o previsto e a produção, não chegar aos 143 milhões de toneladas esperados em âmbito nacional".
> 
> **Cotações** - A principal interferência, ressalva Stefanelo, virá dos preços das commodities no ano que vem. De julho para cá, as cotações em Chicago caíram significativamente. O milho passou de US$ 16 para US$ 9 o bushel (25,4 quilos), diante de uma média histórica de US$ 6,2 dólares. O bushel de soja (27,2 quilos) caiu de US$ 5,5 para US$ 4, com média histórica de US$ 2,5. No trigo, o movimento se repetiu, com queda de US$ 8 para US$ 6 o bushel (27,2 quilos), ainda acima da média de US$ 3,5. "Os reflexos da crise só não chegaram fortemente ao Brasil por causa da alta do dólar. No ano que vem, os preços não devem cair a ponto de voltarem às médias históricas, mas dificilmente vão se manter nos preços de junho na próxima safra", prevê Stefanelo. Segundo os produtores, os custos seguiram as cotações recordes, o que elevou as apostas na safra 2008/09. O Paraná ainda tem 80% do trigo desta safra e cerca de 60% do milho safrinha para vender.
> 
> **R$ 5,5 bilhões é "refresco" para o setor** - Os R$ 5,5 bilhões adicionais para o crédito rural, confirmados nesta semana por Brasília, vão apenas aliviar a situação da agricultura, de acordo com o setor. A federação dos sindicatos rurais do Paraná (Faep) considera os recursos insuficientes e a organização das cooperativas (Ocepar) avalia que o dinheiro extra simplesmente cobre o que os bancos iriam cortar do orçamento de R$ 78 bilhões para a safra 2008/09. Eles deverão destinar 30% - em vez de 25% - dos depósitos à vista para a agropecuária. Da margem extra de 5 pontos é que sairiam os R$ 5,5 bilhões. Os 25%, porém, já não seriam suficientes para garantir os recursos inicialmente previstos.
> 
> **Reclamações** - O quadro de menos crédito e tendência de redução na renda vai trazer à tona antigas reclamações, afirma o técnico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) Eugênio Stefanelo. "Agora vão surgir verdades que os altos preços escondiam." Com margens menos expressivas, o produtor vai sentir mais fortemente as deficiências do setor de transporte, a carga tributária, a falta de seguro agrícola, a fragilidade do sistema de preços mínimos, cita. Esses fatores, avalia, tornam o setor menos competitivo, aumentam a dependência de crédito e criam pressão pelo alongamento das dívidas. (Gazeta do Povo)

 

   

 





 

 

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