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title: COMMODITIES: Barreiras à vista para a disparada dos grãos  | Paraná Cooperativo
description: O Sistema OCEPAR reúne e representa as cooperativas do Paraná, promovendo desenvolvimento, capacitação e fortalecimento do cooperativismo paranaense.
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date: 2012-08-01T14:20:12Z
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Não se engane. A incrível disparada das cotações internacionais dos grãos nas últimas semanas pode ser classificada como um evento histórico de consequências consideráveis, duração de mais alguns meses e saldo negativo sobretudo em países em desenvolvimento, por seus reflexos sobre os preços dos alimentos. Mas, levando-se em conta os fatores que catapultaram commodities como milho, trigo e soja aos estratosféricos patamares atuais, tanto os ligados aos fundamentos de oferta e demanda quanto os derivados de movimentos financeiros especulativos, as informações disponíveis indicam que uma crise "agroinflacionária" global sem precedentes será evitada, ainda que novas altas possam ser registradas neste trimestre.

**Médias mensais** - Cálculos do Valor Data com base nas médias mensais dos contratos futuros de segunda posição de entrega (normalmente os de maior liquidez) negociados na bolsa de Chicago mostram que o milho encerrou julho 35,5% mais valorizado que no mês anterior. No caso do trigo, a média foi 29,6% maior do que a de junho; na soja, o salto foi de 14,9%.

**Variação** - São variações poucas vezes vistas em Chicago (principal referência de preços para o comércio mundial de grãos), o que colabora para aumentar a ansiedade de quem vende e o temor de quem compra. No mercado de soja, é a maior alta entre médias mensais desde março de 2005; no de milho, desde junho de 1988, no caso do trigo, desde agosto de 1973, de acordo com o Valor Data.

**Maior média** - O balanço também aponta que a soja atingiu, em julho, a maior média mensal da história em termos absolutos. O nível médio do milho foi o mais expressivo desde abril de 2011, enquanto o do trigo foi o mais elevado desde abril de 2008.

**Motivos** - Os motivos que levaram às altas são conhecidos. Já em dezembro as cotações começaram a reagir às previsões de que o La Niña prejudicaria a produção de soja e milho na América do Sul na safra 2011/12, notadamente Brasil e Argentina, onde as colheitas começariam em janeiro. Como lembra Antonio Sartori, da corretora gaúcha Brasoja, isso de fato aconteceu, alavancando os preços nos primeiros meses do ano, quando a demanda internacional por essas commodities permaneceu aquecida, com destaque para o apetite da China por soja.

**Semeadura** - Animados, os produtores americanos partiram para a semeadura de uma safra (2012/13) que tinha tudo para bater recordes. A área plantada de milho, por exemplo, foi a maior nos EUA desde a Segunda Guerra. Mas o clima não ajudou, a seca e o calor se alastraram pelo Meio-Oeste e as curvas ascendentes de preços tornaram-se cada vez mais agudas em Chicago, "turbinadas" pelas apostas dos fundos de investimentos. Desafiaram inclusive a valorização do dólar, que tira competitividade dos produtos dos EUA, os maiores exportadores mundiais de grãos.

**Desespero** - "Há um quadro de desespero entre os investidores globais. Não há quase opções no mundo para a rentabilização do capital, mas os futuros de commodities agrícolas, pelos problemas na oferta, estão entre elas", afirma Fabio Silveira, sócio da RC Consultores. O cenário ainda pode piorar. As lavouras americanas de milho ainda estão suscetíveis ao clima adverso e a produtividade poderá recuar ainda mais, ampliando perdas já estimadas em mais de 80 milhões de toneladas em relação às estimativas iniciais para o ciclo 2012/13.

**Soja** - Para a soja, plantada depois, os riscos são até maiores neste momento. Para ambos os grãos, observa Steve Cachia, da Cerealpar, relatório divulgado pelo Departamento da Agricultura dos EUA (USDA) na segunda-feira (30/07) apontou os piores índices de lavouras em excelentes ou boas condições no país desde 1988. Para que a situação não piore, são necessárias "chuvas bíblicas" em agosto no Meio-Oeste americano, como brincou um corretor. Mas não há milagres à vista nos radares meteorológicos, e as águas previstas tendem a ser insuficientes.

**Fôlego** - Nesse contexto, alguns analistas não duvidam que o milho ainda tenha fôlego para alcançar US$ 9 por bushel nas próximas semanas (a média de julho foi de US$ 7,5235) - carregando o trigo, que pode servir de opção na produção de rações -, e que a soja pode atingir US$ 20 por bushel (US$ 16,1032 em julho). Sartori, da Brasoja, e Silveira, da RC, estão entre os que concordam que haverá forte volatilidade em agosto e setembro em níveis elevados e acreditam que esses picos poderão mesmo ser alcançados. Mas projetam médias próximas às de julho, um pouco superiores talvez.

**Mercado** - Em primeiro lugar, porque a produção de milho dos EUA, mesmo menor, começará a entrar no mercado no fim de agosto. O mesmo acontecerá com a soja no fim de setembro, ampliando a oferta. Também os consumidores já chegaram ao limite. Com seus mais de 5 mil anos de comércio, a China, melhor estocada, já não se mostra tão agressiva no mercado de soja; no México, os apreciadores de tortilla já protestam; no Irã as reclamações são em relação aos preços da carne de frango; e, no Brasil, os frigoríficos de aves e suínos pedem socorro, em um quadro de resistência que pode afetar a escalada.

**Protestos** - Silveira observa que esses protestos ganham força em emergentes enquanto países desenvolvidos têm graves problemas, o que é outro entrave para a continuidade das disparadas dos grãos. E não descarta que crises em outras frentes gerem uma fuga dos fundos das commodities.

**Estímulo** - E, como todo ciclo de commodities, cotações elevadas estimulam a produção, o que ocorrerá na América do Sul em 2012/13. A Agroconsult é uma das consultorias que estimam migração de milho (são grandes os estoques brasileiros) para soja e colheita recorde da oleaginosa no Brasil. Previsões atuais também indicam que chuvas trazidas pelo El Niño poderão beneficiar as lavouras. Nas contas da consultoria, 60% da safra de soja que começará a ser plantada em Mato Grosso - em uma área maior que na temporada passada - em setembro já está vendida em função dos preços atuais.

**Boas condições de clima** - O Estado não sofreu com o clima em 2011/12, alimentou as exportações recordes de soja do país no primeiro semestre e tem seus principais polos regionais bem capitalizados - o lado bom de disparadas agrícolas. O Sul teve menos sorte, mas poderá se recuperar mesmo que os preços se estabilizem em patamares um pouco menores. (*Valor Econômico*)

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