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title: AVICULTURA II: Custos nas alturas e expansão em xeque  | Paraná Cooperativo
description: O Sistema OCEPAR reúne e representa as cooperativas do Paraná, promovendo desenvolvimento, capacitação e fortalecimento do cooperativismo paranaense.
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date: 2012-08-01T15:01:22Z
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![avicultura II](https://paranacooperativo.coop.br/images/unidades/pr/comunicacao/noticias/2012/agosto/01/avicultura_ii/avicultura_II.jpg)A pior seca dos últimos 50 anos nos Estados Unidos bate à porta da indústria brasileira de carnes e deixa de sobreaviso um dos setores que mais exporta: a avicultura. O momento é de cautela e corte na produção. Com os custos em alta e o consumo estagnado, a cadeia da carne de frango não quer ser surpreendida com excesso de oferta no segundo semestre e já começou a reduzir a produção.

**Primeiro semestre** - No primeiro semestre deste ano, os frigoríficos ampliaram os abates em 2,7% nacionalmente, mas as exportações recuaram 1,7% e o consumo interno estacionou em 40 quilos per capita. Das 6,3 milhões de toneladas de carne produzidas entre janeiro a junho, 1,9 milhão de toneladas deixaram o país. Maior produtor e exportador avícola do país, o Paraná foi o único estado a registrar aumento no volume embarcado, que cresceu 12,8% na comparação com 2011.

**Metas** - A disparada dos preços dos grãos está obrigando o setor a rever as metas. “Para equilibrar os preços, seria necessário reduzir entre 5% e 10% o abate”, avalia Ricardo Silvio Chapla, presidente da Copagril, de Marechal Cândido Rondon. A previsão da avicultura era encerrar o ano com 12,5 milhões de toneladas de carne de frango produzidas (-2,8% sobre 2011) e 4 milhões de toneladas (+1,5%) exportadas. “O mercado não comporta produção muito superior a 12 milhões de toneladas. Já entramos em 2012 com estoques de passagem elevados”, lembra Dilvo Grolli, presidente da cooperativa Coopavel, de Cascavel.

**Altas** - Desde o início do ano, os preços da soja subiram quase 70% e os do milho avançaram em média 30% no Brasil. Já as cotações da carne permanecem praticamente nos mesmos patamares de dezembro de 2011. O quilo do frango abatido, que era comercializado no atacado por pouco menos de R$ 3 no final do ano passado, hoje vale aproximadamente R$ 2,70 (-8,6%).

**Ave viva** - Na granja, a queda no preço da ave viva foi ainda mais intensa: de R$ 2 para cerca de R$ 1,85/kg no mesmo período (-12,3%). Já na ponta final, do consumidor, o recuo acumulado no período foi de 10,7%, com o quilo do frango inteiro passado de R$ 4,60 em dezembro para R$ 4.

**Raro** - Artigo raro no mercado brasileiro, a soja, quando há disponibilidade, não sai por menos de R$ 70 a saca no interior do Paraná. Com isso, a tonelada do farelo, que no ano passado custava em média R$ 700, hoje chega a valer R$ 1.400, um aumento de 100%. “E essa história dos custos de grãos não vai se resolver em 60 dias. É um problema para 12 meses”, prevê o presidente da Coopavel.

**Modelo de produção** - “Quem quiser se manter na atividade vai ter que espremer de todo lado”, diz o produtor Amarildo Brustolini, de Dois Vizinhos. Ele considera, contudo, que a situação do avicultor paranaense ainda não é tão crítica devido ao modelo de produção adotado no estado.

**Integração** - O sistema de integração funciona como um amortecedor e dá mais segurança para o produtor, avalia ele. “Nos momentos de alta, não repassa integralmente os ganhos, mas em momentos de crise acaba absorvendo parte do prejuízo. Isso dá estabilidade para a atividade no campo. Mas para quem é eficiente”, explica. “Hoje, o produtor de aves não tem como sobreviver senão integrado à agroindústria”, afirma o presidente da Copagril.

**Consumidor** - “O consumidor vai ter que pagar mais”, destaca Márcio Bernartt, representante da Associação dos Avicultores do Oeste do Paraná (Aaviopar). “Nos próximos meses o consumidor vai ter que dividir essa conta. Acho que vamos ter inflação acima da meta”, concorda Chapla.

**Frigoríficos mudam estratégia para se ajustar à crise -** Tudo o que a avicultura não quer é rever o filme do primeiro semestre de 2006, quando os consumidores brasileiros foram brindados com preços extremamente baixos e embalagens escritas em árabe e em russo. O produto, que deveria ser comercializado no exterior, acabou ficando no país devido à retração da demanda mundial após um surto de gripe aviária na Europa e na África.

**Caro** - Naquele ano, a alegria dos consumidores custou caro para os produtores. Diante da forte queda no consumo dos importadores, a estratégia adotada pela cadeia produtiva atenuar os efeitos da crise externa foi colocar os excedentes de produção no varejo, reduzindo os custos de armazenagem. A desova fez com que o preço do produto nos supermercados caísse de R$ 1,80/kg para R$ 0,99 em um período de apenas dois meses.

**Estratégias diferentes** - Para evitar situação parecida, neste ano as indústrias adotam diferentes estratégias para se proteger da crise. A Coopavel, com sede em Cascavel, vai reduzir a produção. Planejado para abater 280 mil aves por dia, o frigorífico operava com capacidade ociosa de 25% no primeiro semestre de 2012 e deve diminuir em mais 10% a produção. “Vamos operar com 190 mil frangos/dia a partir de agora. Para minimizar o impacto no campo, pedimos aos nossos integrados que alojem apenas um lote \[por propriedade\] a menos”, revela o presidente da cooperativa, Dilvo Grolli.

**Expansão** - A Copagril, de Marechal Cândido Rondon, não planeja recuar na produção, mas nos planos de expansão. “Temos uma área reservada para uma nova planta que duplicaria os abastes \[hoje em 150 mil aves/dia\]. Mas essa definitivamente não é uma boa hora para investir”, pondera o presidente Ricardo Silvio Chapla.

**Dificuldades** - As dificuldades causadas pela elevação dos custos contaminam toda a cadeia. Mesmo mantendo estoques reguladores de milho e farelo de soja suficiente para os próximos meses, a Granja Real, empresa de Pato Branco especializada na produção de ovos férteis e pintainhos de um dia, afirma estar amargando prejuízo de R$ 0,04 a R$ 0,05 por ave.

**Produção própria** - Num sistema diferente da tradicional integração, a empresa aposta na produção própria, concentrado todo o processo produtivo, da granja ao incubatório. “Isso eleva os nossos custos de produção, mas vale a pena porque nos dá uma imensa vantagem em termos de rastreabilidade. Num mercado de crise, não digo que vamos crescer, mas certamente seremos um dos últimos a ser cortados”, diz o presidente da empresa, Rodrigo Rotta. (*Caminhos do Campo / Gazeta do Povo*)

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