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title: NOVAS FERROVIAS: Três vezes mais soja sobre os trilhos  | Paraná Cooperativo
description: O Sistema OCEPAR reúne e representa as cooperativas do Paraná, promovendo desenvolvimento, capacitação e fortalecimento do cooperativismo paranaense.
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date: 2012-10-02T10:17:34Z
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![novas ferrovias 02 10 2012](https://paranacooperativo.coop.br/images/unidades/pr/comunicacao/noticias/2012/outubro/02/novas_ferrovias/novas_ferrovias_02_10_2012.jpg)A tão sonhada ampliação da malha ferroviária paranaense, prevista no Plano de Investimento em Logística (PIL) do governo federal, deve dar alívio às estradas em tempos de escoamento de safra e reduzir os custos do agronegócio. Embora seja uma obra de longo prazo – com previsão de entrega para aproximadamente 20 ou 30 anos –, sua rea­lização é considerada fundamental para desafogar as rodovias paranaenses e acelerar o fluxo ferroviário até o Corredor de Exportação do Porto de Paranaguá, principal porta de saída dos grãos cultivados no Paraná e região.

**Dobro de movimentação** - Com os novos trechos, o setor calcula que a movimentação de soja e milho sobre trilhos será dobrada em relação ao que é transportado atualmente pelas linhas da Ferroeste e da Serra do Mar. No caso da soja, a previsão é que o fluxo triplique e some pelo menos 7 milhões de toneladas, estima Nilson Hancke, assessor técnico-econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep). A estimativa é considerada acertada também pela Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar). Para transportar essa quantidade de grãos, são necessários pouco mais de 115 mil vagões. Essa carga encheria 230 mil caminhões.

**Demanda** - Descontando o volume que já é transportado por ferrovia, isso significa que a demanda do agronegócio é retirar do asfalto 170 mil carretas de soja -- hoje 1,8 milhão de toneladas do produto são transportadas pelas duas principais vias férreas do estado, conforme dados da Ferroeste e da Appa, entidade que administra os portos paranaenses.Embarcam nos trens outras 1 milhão de toneladas de milho. “Só \[a Região\] Oeste produz 5 milhões de toneladas de soja. Desse montante, uma pequena parte fica para a indústria local, o restante segue para regiões com fábricas de óleo, ou para as cooperativas que despacham o produto para o porto”, argumenta Hanke. O especialista considera que outras 2 milhões de toneladas da oleaginosa retiradas dos campos de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás passariam pelo Paraná.

**Pedido -** A principal reivindicação do agronegócio paranaense é que seja construída uma ferrovia entre Guaíra (Oeste) e o Porto de Paranaguá. Os trilhos da Ferroeste começam em Cascavel e terminam em Guarapuava, onde há um trecho, operado por empresa privada, que leva as mercadorias até o Porto pela Serra. “Precisamos resolver esse gargalo e ainda construir um trecho ou reestruturar a ferrovia entre Guarapuava até Engenheiro Bley, ou seja, aprimorar o máximo possível o reforço de pontos na ligação para o porto”, avalia Luiz Antônio Fayet, consultor de logística da Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

**Frete** - Na carona da reestruturação ferroviária do Paraná, deve vir uma redução do preço do frete. Hoje o custo do transporte ferroviário é praticamente igual ao do rodoviário. O custo alto do frete é uma das principais razões da pequena movimentação de cargas do agronegócio nas ferrovias.

**Redução dos custos** - Para o engenheiro Renato Pavan, sócio-proprietário da consultoria Macrologística, a diminuição nos custos com o transporte sobre trilhos deve ficar entre 10% e 12%. A estimativa é baseada na distância média entre a origem e o destino das cargas. “Não dá para esperar muito mais do que isso. Há um limite entre o que está indo pela rodovia e pela ferrovia e, no Sul, a rodovia é imbatível a até 500 km dos portos”, considera.

**Sobrecarga nas estradas aumenta com supersafra -** Uma supersafra brasileira de grãos está a caminho e, com ela, a perspectiva de maior estrangulamento da logística do país. Se no ciclo 2011/12 houve filas históricas de navios à espera para atracar na Baía de Paranaguá e em Santos, a temporada que começa agora deve ser marcada por maiores dificuldades no escoamento da produção. A infraestrutura será a mesma para uma colheita com potencial recorde. Somente de soja, espera-se que o volume retirado das lavouras aumente 14 milhões de toneladas. “A causa é que lá em cima não tem saída”, explica Luiz Antônio Fayet, consultor em logística da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em relação à falta de opções para escoamento da produção brasileira no Centro-Norte do Brasil.Paraná

**Falta de eficiência** - O consenso entre os especialistas é que as ferrovias que hoje rasgam o mapa do Paraná não são eficientes e custam caro para quem deseja transportar mercadorias agrícolas. Com uma frota de 600 carretas próprias, a Coamo Agroindustrial, com sede em Campo Mourão, é uma das empresas que quase não usa a malha ferroviária disponível. O presidente da cooperativa, a maior da América Latina, José Aroldo Galassini, diz que os valores cobrados para transportar as cargas de caminhão até o terminal de embarque, em Maringá, somado ao preço do frete ferroviário , inviabilizam a operação. Por falta de alternativa, no último ano a Coamo colocou mais de 3 milhões de toneladas de soja, milho e trigo nas estradas do Paraná. “Em alguns momentos, tínhamos uma carreta a cada 500 metros ao longo do trecho até o porto. Nossa maior despesa é com transporte da produção”, revela Galassini. (*Caminhos do Campo / Gazeta do Povo*)

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