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title: EMBRAPA: Painel debate estratégias de racionalização de fertilizantes na Expolondrina 2022 | Paraná Cooperativo
description: O Sistema OCEPAR reúne e representa as cooperativas do Paraná, promovendo desenvolvimento, capacitação e fortalecimento do cooperativismo paranaense.
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date: 2022-04-06T07:47:25Z
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#  EMBRAPA: Painel debate estratégias de racionalização de fertilizantes na Expolondrina 2022 

![embrapa 06 04 2022](https://paranacooperativo.coop.br/images/comunicacao/2022/noticias/04/06/embrapa/embrapa_06_04_2022.webp)O uso racional de fertilizantes em tempos de crise será tema do painel que a Embrapa Soja, em parceria com a Sociedade Rural do Paraná e a cooperativa Cocamar, irá promover nesta quarta-feira (06/04), às 16h, no pavilhão SmartAgro, durante a Expo Londrina 2022, realizada no Parque de Exposições Ney Braga, em Londrina (PR). A proposta é possibilitar uma conversa técnica sobre o tema entre o pesquisador da Embrapa Soja, Adilson de Oliveira Jr., o gerente técnico da Cocamar, Rodrigo Sakurada, e o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Antonio Sampaio. O bate-papo, que terá moderação do pesquisador da Embrapa Soja Fábio Álvares de Oliveira, é gratuito e as inscrições podem ser feitas no local.

**Importação** - O Brasil importa grande parte dos fertilizantes usados na agropecuária nacional. O Plano Nacional de Fertilizantes, lançado pelo governo federal em março de 2022, tem como meta diminuir a dependência de importações, em 2050, de 85% para 45%. Neste contexto de dependência, a crise provocada pelo conflito entre Rússia e Ucrânia sinaliza para a falta de abastecimento do produto e para o aumento dos preços no mercado, afirma Oliveira Jr. No último ano, o valor da tonelada dos fertilizantes teve um incremento de 162%, saltando de R$2.133,00, em fevereiro de 2020, para R$5600,00, em fevereiro de 2022, de acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Agricultura do Paraná.

**Importante** - “Trata-se de uma discussão de extrema importância, especialmente, pelo momento que vivemos, com problemas no fornecimento e, consequente, alta nos preços dos fertilizantes. Temos que sentar e juntos discutirmos a questão para encontrarmos caminhos para mitigar o impacto dessa realidade nos custos de produção. Tenho certeza que será um debate bastante rico”, declara Sampaio.

**Racionalização** - Rodrigo Sakurada também defende que o debate sobre a racionalização dos insumos é atual e oportuno. “Nós técnicos temos a obrigação de recomendar o uso de fertilizantes, respaldados em uma análise de solo e com base nas tabelas existentes para as várias regiões do Brasil e para as diferentes culturas”, defende. “Temos que aproveitar esse momento de crise, por conta da alta de preços, para explicar que não é apenas nesse momento que devemos pensar em racionalizar os insumos. Ao longo do tempo, essa atitude irá adequar todo o seu sistema produtivo para ser mais eficiente tanto agronomicamente quanto economicamente”, reforça.

**Fertilizantes em sistemas produtivos** - O pesquisador da Embrapa Soja Adilson de Oliveira Jr. explica que, de forma geral, as áreas tradicionais de cultivo de soja e milho no Brasil estão com fertilidade construída, ou seja, tem reserva de nutrientes, possibilitando a redução nas quantidades a serem aplicadas de fertilizantes. Oliveira Jr. lembra que no Brasil, tradicionalmente, os solos são pobres em fósforo e, por isso, o nutriente é aplicado em maiores quantidades, em função dessa característica, nos sistemas de produção em que a soja está inserida. “Quem tem mapeadas as características do próprio solo, pode, neste momento, reduzir um pouco a dose de fósforo e de potássio, por exemplo, ou até deixar de fazer a adubação, que é o investimento mais pesado no custo variável de produção”, explica.

**Áreas tradicionais** - Nas áreas tradicionais - que são adubadas anualmente - o pesquisador comenta que existe um equilíbrio entre os nutrientes, portanto há a possibilidade de racionalizar a aplicação. Porém, nas áreas novas de cultivo de grãos, que são incorporadas das áreas de pastagens degradadas, a fertilidade é baixa e precisa ser construída. “De fato, dependemos de fertilizantes nas duas situações, quando tem baixa fertilidade, precisamos colocar nutriente para produzir e, à medida que se constrói a fertilidade do solo, fazemos a reposição dos teores faltantes para manter o estoque em equilíbrio”, afirma. “Por isso, precisamos observar caso a caso para ter parâmetros reais sobre a necessidade ou não de correção dos teores de nutrientes”, ressalta.

**Análise de solo e equilíbrio nutricional** - Na visão do pesquisador, a análise química e física de solo é o único parâmetro técnico que pode direcionar a tomada de decisão do produtor no que diz respeito à racionalização do uso de fertilizantes. “Quem é o fiel da balança é a análise do solo ao indicar se é possível reduzir e o quanto se pode reduzir na adubação”, destaca Oliveira Jr.

**Valorização** - Segundo ele, a prática de análise de solo precisa ser valorizada, principalmente com amostras representativas dos talhões da propriedade. A análise do solo avalia os teores dos macronutrientes - fósforo, potássio, cálcio, magnésio, enxofre – e dos micronutrientes - zinco, manganês, cobre, e boro -, além de determinar a quantidade de calcário necessária para corrigir a acidez do solo. “Não temos como acertar o diagnóstico se não tivermos uma adequada representação da área”, diz. “A partir das carências ou não é que se deve estabelecer as estratégias de recomendação de adubação. Às vezes, o problema não está na fertilidade do solo, mas na correção de acidez, que também é diagnosticada pela análise de solo”, explica. Enquanto o preço dos fertilizantes mais que dobrou, o valor das análises de solo não sofreu grande alteração, podendo ser feita a R$35,00 por talhão.

**Demanda da cultura da soja** - Na safra 2020/21, o Brasil produziu 135 milhões de toneladas de soja em 38 milhões de hectares. Depois no nitrogênio, o potássio é o nutriente que a soja mais remove do solo, tanto que para cada tonelada de soja produzida são exportados ao redor de 18 kg de potássio. “Por isso, é preciso ter um balanço positivo de potássio no solo, uma vez que a falta do produto pode impactar diretamente na produtividade”, avalia o pesquisador da Embrapa Soja.

**Avaliação** - Oliveira Jr explica ainda ser preciso avaliar o sistema de produção em que a soja está inserida, considerando o que as outras culturas também exportam de nutrientes. “Quando se faz a rotação ou sucessão de culturas, não se planeja a adubação pensando apenas na soja, mas sim considerando as culturas que compõem o sistema de produção”, diz. “Enquanto a soja consome grande quantidade de fertilizantes, o trigo e o milho consomem pouco potássio”, explica. “A adubação do sistema deve buscar um balanço equilibrado entre as diferentes culturas”, conta. (*Assessoria de Imprensa da Embrapa*)

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