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title: ECONOMIA I: BC amplia os instrumentos para conter a taxa de inflação | Paraná Cooperativo
description: O Sistema OCEPAR reúne e representa as cooperativas do Paraná, promovendo desenvolvimento, capacitação e fortalecimento do cooperativismo paranaense.
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date: 2012-03-30T11:57:47Z
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> A economia brasileira está à beira de receber uma enxurrada de dólares, dada a abundância de liquidez internacional decorrente das ações mais recentes do Federal Reserve Bank (Fed, banco central americano) e do Banco Central Europeu (BCE). De janeiro aos primeiros dias de fevereiro houve um ingresso líquido de US$ 11 bilhões em moeda estrangeira. O Banco Central do Brasil já começou a se preparar para enfrentar a retomada dos fluxos de capitais.
> 
> **Depósitos compulsórios** - Na sexta-feira (10/02), num sinal de que a situação externa melhorou, o Banco Central esticou o cronograma de redução da remuneração dos depósitos compulsórios dos bancos e indicou que estes voltarão a ser corrigidos por 100% da taxa Selic em junho de 2014. A medida original foi adotada em dezembro do ano passado para induzir os grandes bancos a repassar liquidez para os pequenos e médios.
> 
> **Liquidez** - A crise internacional continua presente, assim como a perda de dinamismo das economias desenvolvidas, mas as condições de liquidez são o elemento novo na análise da autoridade monetária. Estima-se que o Federal Reserve e o Banco Central Europeu vão irrigar os mercados com cerca de US$ 4 bilhões num mundo em que a taxa de juros é predominantemente negativa. O Brasil, com a taxa Selic de 10,5% ao ano, é um dos prováveis receptores de uma parte relevante desses recursos.
> 
> **Reposicionamento** - É a partir desse novo cenário que o Banco Central se reposiciona, ajusta medidas tomadas no passado recente, quando o crédito externo para o país diminuiu e ficou mais caro e recalibra a "caixa de ferramentas" da política monetária. Se a missão do BC é uma só - cumprir a meta de inflação de 4,5% -, o instrumental para chegar lá não é mais e tão somente o manejo da taxa básica de juros, a Selic.
> 
> **Comunicação** - O Banco Central se comunica com a sociedade pelos seus documentos (ata do Copom e relatório trimestral de inflação) e pelos pronunciamentos da sua diretoria. A comunicação é parte da política monetária, na medida que é usada para coordenar as expectativas dos agentes econômicos em direção à meta de inflação. Na última semana, a autoridade monetária enviou novas mensagens aos mercados: as medidas macroprudenciais - destinadas a mitigar riscos sistêmicos no setor financeiro - adotadas no ano passado para, ao fim e ao cabo, ajudar no controle da inflação, foram muito bem-sucedidas e vieram para ficar.
> 
> **Mais** - O BC disse ainda mais: essas medidas (como, por exemplo, a exigência de mais requerimento de capital para os bancos emprestarem aos seus clientes) mostraram ser mais rápidas nos seus efeitos sobre a demanda do que a própria taxa de juros. E apontou um novo roteiro a seguir, embora sem prazos nem datas: juros e ações macroprudenciais devem ser instrumentos usados de forma coordenada e, se necessário, conforme o ciclo econômico, em direções contrárias.
> 
> **Trajetória** - Tomando o ciclo como hoje se apresenta no Brasil - economia em forte desaceleração e inflação alta, mas em queda - isso poderia significar uma trajetória mais acentuada de queda da taxa Selic e, em outra direção, um aperto no torniquete do crédito bancário, mediante ações de regulação do BC sobre o sistema bancário.
> 
> **Câmbio** - No caso de um aumento expressivo do ingresso de moeda estrangeira no país, o primeiro alvo é a taxa de câmbio. A moeda brasileira já se valorizou, este ano, 7,6%. Elevar as taxas de juros em caso de aceleração da inflação, como o mercado projeta para o fim deste ano e início de 2013, só agravaria esse quadro. O caminho traçado pelo Banco Central é de redução dos juros este ano para um dígito. Pelas indicações mais recentes do BC, o mercado já projeta juros na casa dos 8% ao fim do exercício.
> 
> **Adequado**- Pode-se discutir se a autoridade monetária está tomando riscos demais e se o uso de uma "caixa de ferramentas" ampliada é adequado ou não. Só não é prudente desconhecer que o mundo está andando de lado, continua sujeito a riscos de crédito e o Federal Reserve e o Banco Central Europeu resolveram abrir as "torneiras".
> 
> **Discussão** - O debate internacional do pós-crise de 2008 tem se concentrado em como utilizar os dois instrumentos - juros e regulação - para alcançar dois objetivos: a estabilidade de preços e a estabilidade financeira. O Banco Central, aqui, não está alheio a essa discussão. (*Valor Econômico*)

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