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title: Emissões de gases caem em 2024, mas meta climática segue em risco | Paraná Cooperativo
description: Emissões de gases caem em 2024, mas meta climática segue em risco
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date: 2026-03-18T06:36:29Z
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![](https://paranacooperativo.coop.br/images/comunicacao/2026/noticias/03/18/meio_ambiente/meioambiente_18_03_2026.webp)**FOTO**: *Polícia Federal / Divulgação*As emissões brutas de gases de efeito estufa do Brasil caíram 16,7% em 2024. O total foi de 2,145 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente (GtCO2e). Em 2023, as emissões somaram 2,576 bilhões de toneladas. Foi a segunda maior redução da série histórica, iniciada em 1990.

Os dados constam em relatório divulgado pelo Observatório do Clima (OC), com base no Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG). As emissões líquidas ficaram em 1,489 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente, queda de 22%. O número leva em conta as emissões brutas menos o carbono absorvido por vegetações e áreas protegidas.

A redução está diretamente associada à diminuição do desmatamento, especialmente na Amazônia e no Cerrado, onde as emissões por mudança de uso da terra recuaram 32,5%. Todos os biomas brasileiros tiveram queda de emissões, exceto o Pampa (alta de 6%). Ainda assim, o Brasil continua entre os maiores emissores globais por desmatamento.

O relatório também destaca o peso dos incêndios florestais de 2024. As emissões causadas pelo fogo atingiram o maior nível da série histórica: 241 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente (MtCO2e). Caso fossem contabilizados no inventário oficial – o que hoje não ocorre – eles poderiam dobrar as emissões líquidas associadas à mudança de uso da terra.

Nos demais setores da economia, as emissões ficaram estáveis ou subiram. A agropecuária teve leve queda de 0,7%. Energia (0,8%), processos industriais (2,8%) e o setor de resíduos (3,6%) registraram altas.

A coordenação técnica do SEEG é feita por quatro instituições integrantes do Observatório do Clima. O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) lidera estudos sobre mudança de uso da terra. O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) foca na agropecuária. O Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema) aborda os setores de energia e processos industriais. O Governos Locais pela Sustentabilidade (ICLEI) analisa a gestão de resíduos.

### Detalhamento

O relatório divide as emissões em cinco grupos econômicos. O setor agropecuário totalizou 626 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente em 2024. São consideradas emissões provenientes de fermentação entérica (o gás metano liberado pelo “arroto” do boi); manejo de dejetos animais; cultivo de arroz em regime irrigado; queima de resíduos agrícolas; e solos manejados (emissões da aplicação de fertilizantes nitrogenados, deposição de dejetos em pastagens, etc.).

As emissões por energia totalizaram 424 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente em 2024. O setor abrange queima de combustíveis para gerar calor, força motriz ou eletricidade em diversas atividades, da indústria à cocção de alimentos. Tanto o dióxido de carbono (CO2) liberado pela combustão da gasolina que movimenta automóveis quanto aquele da queima de gás fóssil para aquecer caldeiras industriais são contabilizados.

O setor de processos industriais e uso de produtos (Piup) emitiu 94 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente. Nesse grupo, são consideradas emissões do uso de produtos ou de transformações físico-químicas na fabricação de materiais e bens de consumo. Exemplos são o CO2 emitido na produção de cimento ou de aço, e os gases refrigerantes fluorados (HFCs) que escapam durante a fabricação, o uso e descarte de sistemas de climatização.

O setor de resíduos emitiu 96 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente. Desse total, a principal contribuição vem da disposição de resíduos sólidos em aterros controlados, lixões e aterros sanitários (65,9%), tratamento de efluentes domésticos (26,3%), tratamento de efluentes líquidos industriais (6,2%) e contribuições menos significativas da incineração, da queima a céu aberto e da compostagem (1,5%).

![emissoes gases efeito estufa brasil 2024](https://paranacooperativo.coop.br/images/comunicacao/2026/noticias/03/18/meio_ambiente/emissoes_gases_efeito_estufa_brasil_2024.webp)

### Números por estados

Mesmo com a queda no desmatamento, os estados da Amazônia tiveram emissões per capita comparáveis às de países ricos em 2024, por conta da baixa população e alta emissão bruta. O líder foi o estado de Mato Grosso, com 60 toneladas por habitante: quase três vezes a emissão per capita da Arábia Saudita e mais de três vezes a dos Estados Unidos.

São Paulo, Alagoas e Pernambuco têm emissões brutas per capita menores do que a média mundial (3 toneladas de gás carbônico por habitante cada).

No ranking das emissões brutas, os estados líderes em 2024 foram o Pará (278 MtCO2e), Mato Grosso (231 MtCO2e), Minas Gerais (190 MtCO2e) e São Paulo (145 MtCO2e).

### Projeções para 2025

A projeção do Observatório do Clima indica que o Brasil deve perder por pouco a meta estabelecida na sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) para 2025. Os pesquisadores entendem que são necessárias medidas adicionais, especialmente no controle de incêndios e na redução das emissões em setores como energia e indústria.

Neste momento, a análise é de que o controle de emissões no país está excessivamente focado no controle do desmatamento. Ou seja, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) é o principal agente de mitigação de carbono. Para o Observatório, outros setores da economia têm de contribuir para que as próximas NDCs sejam atingidas.

Também foi feita uma projeção das emissões para o ano de 2025, levando em conta dados da economia e do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes). A estimativa é de que o país registrará 1,44 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente líquidas, número 9% maior do que a meta estipulada pela NDC, que é de 1,32 bilhão de tonelada.

### Plano Clima

Na segunda-feira (16/03), o governo federal lançou, em Brasília, o Plano Clima, documento que orienta Estado e sociedade para enfrentarem a crise climática. O plano descreve ações de mitigação e adaptação para o Brasil ser uma economia de baixo carbono, sustentável do ponto de vista socioambiental.

A meta principal é reduzir entre 59% e 67% as emissões de dióxido de carbono até 2035 (percentuais da meta são relativos a 2005). A contenção será caminho para que até 2050 não haja mais emissões dos gases de efeito estufa no Brasil. (*Agência Brasil*)

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