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ARTIGO: Importância da liderança em tempos de crise

artigo 12 08 2020*Cláudio Shimoyama

“Seja um líder de crise eficaz. O mundo precisa de liderança agora e precisa de você.”

As mudanças fazem parte de toda a história, mas nunca estiveram ultrarrápidas como agora, neste momento de pandemia. A verdade é que a pandemia está transformando a vida das empresas e tirando o sono da maioria dos líderes empresariais.

Seu ritmo alucinante não é um assunto recente, um ícone futurista chamado Alvin Toffler, que faleceu em 2016, aos 87 anos em Los Angeles, já falava sobre este tema na década de 60. Em seu primeiro livro sobre o assunto, “O choque do futuro de 1970”, ele afirmava que: “A mudança não é simplesmente necessária para a vida, ela é a vida”.

Algumas das pérolas de Alvin Toffler:

” Ou você tem uma estratégia, ou é parte da estratégia de alguém.”

” Os analfabetos do próximo século não são aqueles que não sabem ler ou escrever, mas aqueles que se recusam a aprender, reaprender e voltar a aprender.”

” O futuro é construído pelas nossas decisões diárias, inconstantes e mutáveis, e cada

evento influencia todos os outros.”

” Mudança é o processo no qual o futuro invade nossas vidas.”

Estamos vivendo uma era de mudanças, em um ritmo tão acelerado que acaba atropelando a todos. O coronavírus (Covid-19) é um exemplo da mudança do mercado na velocidade que as empresas não esperavam. Estamos em um mercado que eu chamo de pista rápida ou mercado 4.0, em que a verdade se torna provisória e o processo do aprendizado deve ser contínuo. E isso é um desafio para as empresas e seus líderes.

A pesquisa Carreira dos Sonhos, realizada em 2019, pela Companhia de Talentos e publicada em 13 de abril de 2020 na revista Exame, no artigo “Este é o traço essencial das lideranças que sabem enfrentar uma crise, revelou que apenas 37% dos profissionais brasileiros confiam em seus gestores”. E sem confiança, não há inovação, não há criatividade, não há progresso. Isto demostra que os profissionais estão em busca de ambientes corporativos mais transparentes e coerentes ao seu discurso. E diante dessa crise, isso ganha mais relevância.

As pessoas, os valores, os governos, os mercados e as empresas estão como em um vórtice de um furacão, muitas vezes agarrados a fragmentos de um mundo que não existe mais. O chamado novo mercado, mais veloz, influenciado pela pandemia, apresenta um novo cenário mundial atual, os americanos usam uma sigla para isto, eles dizem que o mundo atual é VUCA (em inglês) ou VICA (em português).

Volatility – Volátil - A realidade atual tem duração desconhecida e se transforma com muita rapidez, o que torna mais difícil prever cenários futuros.

Uncertainty – Incerto - Apesar de termos muita informação disponível para tentar antecipar as mudanças que vão ocorrer, nunca poderemos ter total certeza.

Complexity – Complexo - Dificuldade em prever cenários futuros por conta da complexidade do mundo atual. Ações isoladas, que parecem simples, mas na realidade fazem parte de um conjunto enorme de variáveis, tanto do mercado como da sociedade em geral, que impactam umas nas outras.

Ambiguity – Ambíguo - Relacionado ao fato de que os contextos atuais, normalmente muito complexos, podem ser analisados de diversas formas e não apenas baseados em experiências passadas, até porque, muitas vezes, não existem precedentes que sirvam de referência.

Então, nesse momento que estamos vivendo, para potencializar seus resultados, os líderes necessitam de características como: flexibilidade, resiliência, criatividade, intuição, alta performance de trabalho em equipe, e ainda se ocupar de constante aprendizado sobre a organização e sobre si mesmo.

O líder que atinge melhores resultados é aquele que sabe obter e trabalhar o saber fazer dos membros da equipe. No dia a dia de um líder, a etapa desenvolver acontece na ação, uma vez que foram feitos contratos na etapa anterior do processo.

As empresas necessitam de líderes capazes de trabalhar e de facilitar a resolução de problemas em equipe, motivando os colaboradores e contribuindo para uma melhor produtividade, ou seja, líderes com habilidades de gestor.

A base do desenvolvimento das competências de um líder está na combinação entre o Conhecimento, Habilidades e Atitudes (CHA).

artigo tabela 12 08 2020

 

 

 

 

Conhecimento: O conhecimento se adquire estudando, seja em sala de aula, em casa, sozinho ou em grupo.

Entende-se que o conhecimento é o elemento da competência de mais fácil acesso. Sua característica principal é estar relacionado aos processos conscientes do comportamento, ou seja, o indivíduo de acordo com suas convicções, possui relativo controle sobre ele.

Quanto mais conhecimento adquirido maiores as possibilidades de ampliação da visão de mundo e consequente ganho em diversas outras competências como: ética, flexibilidade, criatividade, relação interpessoal, entre outras.

Habilidades: “Se desenvolvem por meio de exercícios. Isto vale tanto para habilidades motoras (por exemplo, dirigir uma empilhadeira) como para intelectuais e afetivas (como negociar, atender um cliente etc.)” (Boog, 2001:40).

Uma habilidade diz respeito mais ao saber fazer, isto é, ao se colocar em prática o conhecimento adquirido. Sua dinâmica é transformar equalizar as três instancias que a constituem: cognitiva, motora e afetiva. As habilidades se aprimoram com o exercício contínuo e há diversas maneiras de implementá-las, por meio de treinamentos específicos, tais como workshops, aprendizagem vivencial, jogos e simulações, que são com frequências os mais utilizados.

Atitudes: São os comportamentos habituais, que podem ser verificados em circunstâncias diferentes.

As atitudes são patenteadas através das reações repetidas de uma pessoa. Este termo tem particular aplicação no estudo do caráter, como indicação inata ou adquirida, relativamente estável, para sentir e atuar de uma forma determinada.

Portanto, se colocarmos em ação os conhecimentos acumulados, as habilidades desenvolvidas e as necessárias mudanças de atitudes, teremos como resultado o surgimento de uma competência.

Segundo Chiavenato (1999), “o líder capaz de reduzir as incertezas do trabalho é tido como um motivador porque aumenta a expectativa dos subordinados de que seus esforços levarão às recompensas procuradas”.

Para entender melhor o que é motivação, podemos analisá-la derivada da palavra "motivo", que significa necessidades ou desejos dos indivíduos. É, também, o processo de estimular as pessoas às ações para atingir os objetivos.

Bernardinho (2006), reforça que “a motivação se baseia em dois pilares: o primeiro deles é a necessidade. Se você precisa, vai “correr atrás” e se dedicar. O segundo é a paixão. Se você gosta, ama o que faz, vai querer melhorar sempre”.

Os princípios de liderança que Dale Carnegie sugere batem com os de um outro livro bem-sucedido, este bem mais recente, chamado “O Monge e o Executivo”. A ideia é de que o líder mais eficaz é o líder servidor. Perceba como esse tipo de comportamento é muito diferente do observado por chefes carrascos que estão sempre cobrando resultados sem se importar com o lado humano de seus subordinados.

De acordo com Brum (2017), atualmente se fala em líder colaborativo, que é aquele que “levanta a bola para a sua equipe bater”, que participa, que contribui e que coloca a sua opinião, mas não entrega o trabalho pronto, o que impediria o crescimento e o desenvolvimento das pessoas. Ainda, de acordo com Brum, o líder colaborativo é aquele que acredita o trabalho da equipe, deixando-a fazer e contribuindo quando necessário, ou seja, ser um líder colaborativo é ser alguém com quem a equipe pode contar.

E as sete qualidades do novo líder, que o torna inesquecível são: 1 – Acredita no impossível; 2- Enxerga oportunidades na crise; 3- coloca paixão no que faz; 4- protege a equipe; 5- é uma referência; 6- age com ética; e 7- inspira ser o melhor.

Enfim, para ser um líder é preciso seguir algumas regrinhas simples, que, quando seguidas, fazem com que você seja mais admirado e capaz de saber como influenciar pessoas e fazer amigos. É importante cultivar a confiança em uma crise, mas a esperança é o que nos move. É preciso se transformar para ser um agente da transformação que sua empresa necessita e que o momento exige. Pense nisso!

*Claudio Shimoyama é CEO do Grupo Datacenso, consultor em Marketing Estratégico e mentor empresarial

 

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