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FED: Novo normal são juros baixos, inflação baixa e PIB provavelmente menor, diz Powell

 

fed 14 11 2019Embora a enorme provisão de liquidez proporcionada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) para os mercados desde setembro seja vista com ceticismo por muitos observadores, incluindo participantes do mercado, o presidente do BC americano, Jerome Powell, disse mais uma vez que não há com o que se preocupar.

 

Juros mais baixos - Em discurso no Congresso, ele descreveu um ambiente de juros baixos em que a atuação da autoridade monetária pode ter menos impacto. Powell disse nesta quarta-feira (13/11), em seu testemunho ao Congresso, que o Fed ainda está estudando o que causou os picos nas taxas de juros de curto prazo em setembro, mas acrescentou que, a partir de agora, o que está sendo feito para manter os mercados calmos tem cunho "técnico". "Acho que temos [tudo] sob controle", afirmou.

 

Sem implicações - O presidente do BC dos EUA disse também que questões do mercado monetário e as respostas do Fed "realmente não têm implicações para a economia ou o público em geral".

 

Envelhecimento da população - Powell disse que o envelhecimento da população (que faz com que as pessoas poupem mais) e a inflação reduzida permitiram uma diminuição de forma consistente das taxas de juros nos últimos 40 anos.

 

Menos munição - O resultado é que o Fed tem menos munição hoje para enfrentar uma eventual recessão do que no passado, quando cortava normalmente as taxas em 5 pontos percentuais ou mais para combater quadros recessivos. "Acho que o novo normal são juros baixos, inflação baixa, e PIB provavelmente menor", disse, acrescentando que outras economias avançadas estão na mesma situação.

 

Taxas negativas - Na terça-feira (12/11), o presidente dos EUA, Donald Trump, mais uma vez citou a possibilidade de taxas de juros negativas nos EUA em um discurso no Clube Econômico de Nova York, semelhante ao que é visto em outras economias avançadas.

 

Cautela - Questionado sobre essa possibilidade hoje, Powell falou do assunto com cautela, dizendo que "as taxas muito baixas e até negativas que vemos ao redor do mundo não seriam apropriadas para nossa economia no atual ambiente de crescimento”.

 

Apreciação indesejada - O presidente do Fed observou que as taxas negativas são às vezes implantadas para impedir uma apreciação indesejada da moeda. Mas ele se absteve de dizer se este seria um cenário plausível nos EUA atualmente ou no futuro.

 

Questionamento - Na sessão de perguntas, o senador republicano Tom Cotton, de Arkansas, questionou se a China inflaciona artificialmente seus números de crescimento econômico. Powell disse que o Fed não tem uma opinião sobre o assunto, mas acrescentou que o BC dos EUA aceita os dados chineses com uma “pitada de sal”, ou seja, com ressalvas.

 

Volatilidade - O presidente do Fed observou que a volatilidade do crescimento econômico relatado na China - atualmente na faixa de 6% ao ano - diminuiu, o que pode sugerir "um pouco mais de administração".

 

Desavalancagem - Ainda assim, observou que o governo chinês não respondeu à recente desaceleração com um grande estímulo econômico e manteve sua campanha de desalavancagem da economia. "Eu diria que eles estão se comportando de forma relativamente atenciosa e responsável em resposta a essa desaceleração", afirmou.

 

Endividamento - A redução do déficit fiscal ficou fora de moda no Capitólio, mas Powell diz que essa visão é equivocada. Uma tendência de décadas de taxas de juros em queda, graças às expectativas de inflação mais baixas, significa que os custos de empréstimos dos EUA são muito

mais baixos hoje, mas "não significa que possamos ignorar os déficits", afirmou.

 

Dívida - "A dívida está crescendo mais rápido que a economia, em termos nominais. Isso, por definição, é insustentável", afirmou Powell.

 

Déficit - Mesmo com taxas mais baixas e crescimento consistente, os legisladores precisarão eventualmente reduzir o déficit, que atingiu quase US$ 1 trilhão no ano fiscal de 2019. Mas Powell foi rápido em dizer que não é tarefa do Fed dizer ao Congresso quando ou como fazê-lo.

 

Mudanças climáticas - O presidente do Fed minimizou o papel do BC dos EUA no combate às mudanças climáticas, dizendo aos legisladores que o evento não tem implicações de política monetária de curto prazo, mesmo que as autoridades considerem problemas climáticos como uma ameaça que as instituições financeiras precisam se planejar para enfrentar.

 

Medidas - "Não seremos os únicos que decidirão a resposta da sociedade", afirmou. Powell argumentou que lidar com as mudanças climáticas não faz parte da missão do banco central. Ainda assim, o Fed vem tomando medidas para abordar o assunto através de seus esforços de pesquisa. Na semana passada, a regional do Fed em São Francisco realizou uma conferência de um dia sobre a economia das mudanças climáticas. (Valor Econômico)

 

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