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FÓRUM DE AGRICULTURA: Inovação e sustentabilidade são o norte do sucesso da agropecuária, prevê empresária rural

forum agricultura 12 09 2019Um dos destaques da programação do 7º Fórum de Agricultura da América do Sul, realizado no Museu Oscar Niemayer, em Curitiba, nos últimos dias 5 e 6, foi o painel sobre Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), tecnologia de produção que integra diferentes sistemas produtivos, agrícolas, pecuários e florestais dentro de uma mesma área, tanto de forma consorciada, em sucessão ou em rotação, visando ao benefício de todas as atividades. A ILPF foi assunto do painel com participação do presidente do conselho administrativo da Cocamar, Luiz Lourenço, da proprietária da Fazenda Santa Brígida em Ipameri (GO), Marize Porto Costa, e do diretor de marketing da John Deere, João Pontes. 

Tecnologia - Luiz Lourenço explicou que o sistema consiste em uso intensivo em solo sempre coberto, “para que a questão ambiental seja respeitada, com a retenção de carbono”. Segundo ele, o sistema começou a ser desenvolvido pela Embrapa, por meio de projetos que visavam às melhorias e reestruturação de solos de pastagens, no século passado. E, entre 2005 e 2007, houve a consolidação da tecnologia que viabilizou o conceito de integração lavoura, pecuária e floresta.

Ocupação - Lourenço lembrou que a agricultura no Brasil ocupa cerca de 8% do território nacional, o que corresponde a  70 milhões de hectares; a pecuária dissemina-se em  20%, ou seja, 165 milhões de hectares, que, na média, é pouco produtiva. Segundo dados da Embrapa a área de pastagem degradadas no país chega a 100 milhões de hectares. “A integração é um instrumento que permite pegar parte desse solo para produzir mais bois, assim como grãos. A integração bem conduzida pode elevar em até 10 vezes o faturamento da pecuária por hectare. Por exemplo, a produção da pecuária tradicional é de quatro arrobas por hectare, com faturamento bruto de R$ 600,00. Essa é a média brasileira de produção de carne”, enfatizou o cooperativista.

Exemplo - Em Ipameri, no interior de Goiás, Marize Porto Costa, em 2002, com o falecimento do marido, assumiu a Fazenda Santa Brígida, de 960 hectares, cuja atividade principal era a pecuária de corte. E teve de dividir a atividade de dentista com a de pecuarista, enfrentando queda de produtividade do rebanho e prejuízos, tanto que para pagar funcionários – 4 na época – o dinheiro vinha do consultório dentário. À plateia atenta à sua palestra, no último dia do 7º Fórum de Agricultura, ela lembrou que, em 2006, a ocupação média por hectare era de 0,5 unidade animal e produção anual de 2,5 arrobas em igual área da propriedade. O prejuízo por hectare era de R$ 200,00. Com a assistência da Embrapa ela investiu no sistema Integração Lavoura, Pecuária e Floresta, e a Santa Brígida renasceu forte, saudável e rentável.

Oásis - Não foi fácil, mas o resultado de muito trabalho, persistência, investimento em tecnologia é de encher os olhos: a qualidade da terra foi restaurada, as pastagens foram  recuperadas, a água brota com mais abundância e enche lagos e a terra vermelha de antes cobriu-se de muito verde – lavouras de milho, intercaladas com braquiária, soja, sorgo, pastagens e gado viçoso, além do eucalipto. A fazenda virou empresa que funciona os 12 meses do ano, relatou Marize. “Em outubro de 2018, a lotação foi de 4 animais e produção de 30 arrobas por hectare/ano, que já passou de 40 arrobas. E temos muito espaço para crescer, tanto que esperamos chegar às 60 arrobas/hectare/ano em 2020. Hoje a fazenda tem resultado líquido de R$ 3 mil por hectare/ano e gera 25 empregos diretos, mantendo a mesma área”, revelou.

Evolução - Marize lembrou que, ao longo do tempo, o setor rural acumula notícias boas. “Passamos por algumas revoluções na agricultura. A primeira, nascida aqui no Paraná, foi na década de 1970 com o sistema de plantio direto; a segunda ocorreu na década de 1990, com a segunda safra, que nasceu safrinha, se tornou adulta e agora é uma safrona. E, agora, no século 21 a resposta para o ganho de produtividade, aumento de produção e sustentabilidade, com ‘não ao desmatamento’ e ‘não ao aquecimento global’, é a integração lavoura, pecuária e floresta”, afirmou, ao destacar que “sempre fomos bons em agricultura e produtividade, tanto que, com aumento de área de 70%, o país elevou a produção em 500%. Este é o diferencial, a poupança de hectares de desmatamento”. Para ela, os desafios da atividade previstos para os próximos anos, até  2030, por exemplo, serão superados por meio de “duas coisas muito importantes: inovação e sustentabilidade”.

 

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