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COMÉRCIO EXTERIOR: Bloco e países do EFTA tentam novo acordo comercial

 

comercio exterior 21 08 2019A indústria brasileira aguarda para talvez ainda nesta semana a conclusão do acordo comercial entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA, na sigla em inglês), que é formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

 

Barganha final - A barganha final poderá ocorrer em Buenos Aires, em negociação que começou na segunda-feira (19/08). Os suíços querem uma proteção mais forte para patente de remédios, enquanto o Mercosul cobra maior volume em cotas para certos produtos agrícolas.

 

Entendimento - Para os países do EFTA, o entendimento é importante para ter o mesmo nível de preferências que serão obtidas pelas empresas dos países da UE, o que dá uma evidente vantagem competitiva. Os países do EFTA são pequenos, mas muito ricos e importam cerca de US$ 400 bilhões por ano, muito mais que os países do Mercosul.

 

Avanço - Se confirmado, o acordo será mais um avanço na nova orientação da política comercial brasileira, no rastro do que foi acertado entre o Mercosul e a União Europeia em junho. "O acordo com o EFTA será mais um passo importante na direção da maior inserção internacional da economia e da indústria brasileira", afirma o diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi.

 

Dificuldades - No entanto, outras dificuldades virão, quando o acordo terá de passar pelos Parlamentos nacionais, incluindo o da Noruega, país com o qual o presidente Jair Bolsonaro resolveu deflagrar uma briga envolvendo a área ambiental. Na Suíça, representantes do Partido Verde e agricultores já começaram a utilizar discursos de Bolsonaro sobre a área ambiental para se opor ao entendimento comercial.

 

Ganhos concretos - A CNI aponta ganhos concretos num acordo Mercosul-EFTA. Exemplifica que o Brasil enfrenta tarifa para mais de 60% dos produtos que têm oportunidades de serem exportados para a Suíça, por exemplo. Esses produtos vão de alumínio e autopeças a bens agrícolas como carnes e grãos.

 

Fluxo comercial - O fluxo comercial entre o Mercosul e o EFTA está no menor nível da última década. Caiu de US$ 7,7 bilhões em 2014 para US$ 4,6 bilhões no ano passado. O acordo pode reverter isso, na expectativa da CNI.

 

Origem - A Suíça é a grande origem de importações no EFTA (78%). A Suíça e Noruega representam cerca de 45% cada nas exportações do Brasil ao EFTA. O fluxo comercial está concentrado em produtos industriais: 94% das importações e 86% das exportações.

 

Produtos químicos e medicamentos - O Mercosul importa sobretudo produtos químicos e medicamentos. E exporta semimanufaturados, desde alumínio e ouro. Pelos cálculos da CNI, o Brasil tem oportunidades em 541 grupos de produtos para exportação ao EFTA. Os países do EFTA são o segundo maior parceiro do Brasil em serviços, atrás só dos EUA. Arrendamentos e serviços de transporte marítimo são os principais setores. (Valor Econômico)

 

Foto: Agência Câmara

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